terça-feira, 14 de abril de 2009

Canção do exilado

Uma homenagem à cidade onde vivo atualmente, com uma paráfrase do poema de "Canção do Exílio" de Gonçalves Dias.

Nesta terra sem palmeiras,
De onde foge o sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
É que não sabem voar.

Nosso céu não tem estrelas,
Nossas várzeas não têm flores,
Nossos bosques não existem,
Nossas vidas são sem amores.

Em cismar, sozinha, a noite,
Nenhum prazer encontro eu cá;
Nesta terra sem palmeiras,
De onde foge o sabiá.

Nesta terra sem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar, sozinha, a noite,
Nenhum prazer encontro eu cá;
Nesta terra sem palmeiras,
De onde foge o sabiá.

Não permita Deus que eu morra
E que eu volte para cá;
E que lamente os primores
Que não encontro eu cá;
Sem que ainda aviste as palmeiras
Onde realmente canta o sabiá.

É bem isso que eu sinto e vejo com relação à cidade onde vivo, São Paulo capital. Se assim como eu, você concorda que é uma droga viver num lugar sujo, fedido, respirando fumaça, um lugar onde tudo é caro e longe e nem é assim tão bom, cujas pessoas são frias e que fazer uma amizade por aqui é muito difícil, bem vindo ao clube. É isso, desabafo feito.